Seminário debateu equidade, identidades e violência nas escolas na Fiocruz, em Brasília
O Seminário Equidade, Identidades e Violência nas Escolas foi realizado no dia 27 de agosto, no auditório da Fiocruz, em Brasília. O encontro promoveu um amplo debate sobre os processos de socialização nas escolas do Distrito Federal e do Brasil, reunindo professores e professoras, especialistas das áreas de educação e saúde, além de representantes de diferentes setores da sociedade.
Ao longo do dia, quatro mesas de debate abordaram a realidade das salas de aula, as relações de gênero, raça e identidades, os impactos da violência no ambiente escolar e os desafios trazidos pela presença cada vez maior dos meios digitais nas relações de convivência e na educação brasileira.
A primeira mesa discutiu políticas públicas nas áreas de educação e saúde. Em seguida, professores e professoras compartilharam experiências práticas relacionadas à equidade de gênero, raça e identidades e seus impactos no cotidiano escolar. A terceira mesa refletiu sobre a influência das tecnologias digitais nas relações em sala de aula. O seminário foi encerrado com uma reflexão geral sobre os temas debatidos.
Coordenada pelo professor, mestre em Saúde Pública e vice-presidente do Conselho Regional de Psicologia do Distrito Federal, Rafael Gonçalves, a iniciativa foi realizada a partir do Núcleo Angicos de Educação Popular em Saúde da Fiocruz-Brasília.
Durante o evento, Rafael destacou a importância de compreender o processo educacional em toda a sua complexidade:
“Vemos um impacto enorme da questão da saúde mental na aprendizagem. Talvez as soluções para um país mais desenvolvido, do ponto de vista humano e social, dependam diretamente dessa outra inteligência: a emocional, e do ambiente no qual essa juventude está inserida.”
Violência nas escolas
Dados apresentados durante o seminário demonstraram a dimensão dos desafios enfrentados pela comunidade escolar. De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), o número de vítimas de violência interpessoal nas escolas passou de 3,7 mil, em 2013, para 13,1 mil, em 2023. No mesmo período, os casos de violência autoprovocada — que incluem automutilação, ideação suicida, tentativas de suicídio e suicídios — cresceram significativamente.
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo IBGE com base em entrevistas realizadas em 2024, também revelou que quatro em cada dez estudantes brasileiros de 13 a 17 anos já foram vítimas de bullying. Além disso, 27,2% relataram ter sofrido humilhações recorrentes e 16,6% afirmaram já ter sido agredidos fisicamente por colegas.
As meninas apareceram como as principais vítimas: 43,3% relataram ter sofrido bullying, contra 37,3% dos meninos. Elas também foram apontadas como as mais atingidas pelo cyberbullying, enquanto os meninos foram os que mais admitiram praticar esse tipo de violência. Ao todo, 12,7% dos estudantes disseram já ter sido humilhados ou ameaçados nas redes sociais.
Realizado na Fiocruz, o seminário reforçou a necessidade de ampliar o diálogo entre educação, saúde e sociedade para construir ambientes escolares mais seguros, inclusivos e atentos à saúde mental e à diversidade.